Lucélia

Marcos Antonio Vazniac


A duas léguas do Bairro Balisa, no alto do espigão do Peixe/Aguapeí, acontecia muito rápido o nascimento de Lucélia. E com isso, começava o desaparecimeto do Bairro Balisa.

Nada mais existe no local, nem vestígios de construções. Apenas um rio chamada Balisa, que separa Lucélia de Pracinha. Nas margens desse rio é que existia o povoado.

A reportagem da Folha da Cidade de Martinópolis, esteve no local em 1997 e encontrou um remanescente, um senhor de origem russa, Stepan Povliuk que apesar dos 79 anos, ainda lúcido, contou o que sabia.

"Na época que vim para José Theodoro (nome antigo de Martinópolis), em 1932", informa ele, "já havia uma colônia russa no local chamado Balisa. Ainda nem se pensava que existiria a cidade de Lucélia. O motivo de se juntarem muitos russos naquele local é que havia um capataz de uma fazenda dessa origem e foi chamando os demais, espalhados em várias cidades do interior paulista. Lá nas margens do rio Balisa, chegou a haver umas quarenta residências, cinco casas comerciais, uma igreja ortodoxa, cemitério, farmácia, uma serraria e hoje nada mais existe. Todos venderam seus lotes barato e mudaram-se para Lucélia, quando abriram o novo povoado. Só eu estou ainda aqui, neste sítio. Sou nascido em Pitronka, na Bessarábia, atual Romênia. Quando nasci (27.10.1918), minha cidade pertencia à Russia. A vida naquele tempo era uma dificuldade. Na roça, nosso povo não estava acostumado com lavouras do tipo que se plantava aqui. Foi difícil se acostumar com mandioca, café, banana, mamão, manga. Era tudo desconhecido para nosso povo. Mas sobrevivemos e alguns descendentes hoje moram em Lucélia".

[Texto de Marcos Antonio Vazniac, diretor do jornal Gazeta Regional, de Lucélia. O artigo na Folha da Cidade de Martinópolis foi escrito pelo jornalista José Carlos Daltozo. Ele reside em Martinópolis.]